quarta-feira, 30 de julho de 2008

dESERTA

É bem aqui que eu estou agora. A mulher barbada sob o fóco de luz da lâmpada do gabinete do banheiro.
Toda água vai cair direto da torneira pelo buraco do ralo da pia até o cano, galerias de esgoto, rio imundo, mar imundo, secar, esfriar, chover e cair. Cair direto da torneira. Pelo buraco da pia. Da pia pro cano imundo.
Um mundo lá fora vive e eu sempre seca. Ali dentro. No espelho.
Nunca tão bonita. Nunca tão feia.
Se os olhos salvam, o olhar condena.

Eu nunca pisco. Vou ficar ali mais três dias.


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