
Sou dessas que escreve tudo sempre a mão. Caneta a tinta. Tinta preta.
Sou dessas que anda noturna. Que tem gatos. Que tem gosto pelo perigo eminente.
Sou daquelas pra quem se apagam as lâmpadas dos postes de rua quando por debaixo deles passo.
Eu nunca ando nos lugares por onde minha roupas vão.
Mas é claro, porém, que qualquer besta pouco instruída com o menor gosto por mistérios me descobrirá nua e um pouco bêbada.
Toda minha história se proclama em evidências; nomes, endereços e números de telefone são trocadilhos.
E eu tenho vícios, inclusive de linguagem.
A toda, cada e nova acusação alego insanidade mental. Se você observar bem, verá que não faço colocação alguma sem, minimamente, duplo sentido. Eu mal concluo uma sentença.
A tinta da minha pena se envolve e desmancha com o tempo.
Sobra um par de seios e o gosto da saliva.

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