O corpo estava deitado na cama.
Morto, pôde ver como formava-se a fina e bem estruturada camada de poeira sobre os móveis.
O corpo assim de bruços. A cabeça apontada para sua esquerda. A orelha amassada mas sem dor. Os pés escapando pelos dedos da borda do colchão.
Os olhos vidrados na mesa. Postos sobre a mesa.
A caneca de criança com seus antigos lápis apontados nas duas extremidades, suas canetas pretas de clique, os canudos que colecionava. O prego da prancheta na táboa lateral da escrivaninha.
Onde estava a prancheta velha de eucatex? Tinha ou não decidido por arrancar-lhe aquele adesivo de rádio FM?
Na gaveta, os chicletes de canela, os óculos reserva, as revistas masculinas.
O telefone ligado ao carregador na tomada. Se alguém ligasse, não atenderia.
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
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